Sou o fel
Que queimou os lábios do Iago
A carta triste do Plínio
O jovem do Vesúvio
O punhal do Hamlet
Eu
Que vim de um poema
Concreto
Com minhas letras perdidas
Em um papel jornal
Eu
Que não fui ouvido
Agora
Escondo-me em um livro
Velho e sem capa
Não fui triste
Nem tive o brilho deste cálice
Negro
***
Deus é o sorriso do outro
Ou será o demônio o sorriso do outro
Ou é de mim que sorriem?
Deus não é a água como fala Caeiro
(Em seu poema metafísico)
Deus é meus olhos
É onde meus braços alcançaram
Sou o gol uruguaio
E outra vez o punhal do Hamlet
Que pensou Iessiênin no seu ultimo poema?
Para que aprendeu Alexandre?
A água do rio segue
A barca
Anda esquecida e
O pescador adormece
Pensando na princesa
Eu canto como se me ouvissem
Não há silêncio
Arde o último líquido
Os lábios secam
O coração tornou-se fantasia
E navega em meu passado
Lembro de Platão
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