Hoje eu estou bem,  

Bem assim como quem sai de uma festa,  

Como quem beijou pela primeira vez,  

Como quem nunca amou.  


Hoje saí pela rua sorrindo.  

Olhei, e não liguei para a neblina que molhava meus pés.  

Olhei, e não liguei para o trânsito que estacionava em frente.  

Olhei, e não liguei para o que pudesse ver como entrave.  


Hoje acordei diferente.  

Antônia me olhou e sorriu.  

Cristina guardou para si os seus sussurros.  

Daniel se esquivou de perguntar as horas.  

Marluce pulou da minha peça escrita há um ano e dançou em minha frente.  


Hoje acordei e vi, com o meu travesseiro, os teus lábios.

 Entro na livraria

Vou à estante de poesias

Há poetas mortos e vivos

Há poesia viva

E minha poesia adormecida


Folheio alguns livros

Procuro me educar com poesias inéditas

Me vejo em algumas

Me perco em todas

Não sou poeta

Sou um menino de calças curtas

Que necessita ser homem

 Alice sorri como pula um gafanhoto,

Bem alto, 

              que dobra a esquina. 


O sorriso de Alice dobra a esquina.

 Alice sorri como pula um gafanhoto,

                 Bem alto, 

que dobra a esquina. 


O sorriso de Alice dobra a esquina.