As árvores do parque 

Descansam suas folhas às 15 horas da tarde.  

É domingo.  

Eu, solitário, observo pessoas que cruzam de um lado a outro.  

Muitos sorrisos,  

Alguns gritos, e outros conversam baixinho, falam de suas paixões.


O parque é vasto,

E vasta também é minha visão curiosa de todas as criaturas que passam.  

Não sei seus nomes,  

Não as conheço, ignoro suas histórias de vida.


O parque acolhe todos,  

Até a mim, que me sento em uma de suas calçadas,  

E observo essas vidas.


Não há um pássaro neste campo. 

Todos parecem ociosos.  

Talvez não desejem alegrar nossas vidas.  

Nenhuma formiga veio até mim, para me alertar que vivo.


Quando morrer, 

Serei esquecido e habitarei nessa mesma ociosidade.  

Talvez devesse acreditar em jardins floridos e pássaros que voam.  

Mas não, insisto em acreditar no silêncio.


Lá bem longe, escuto uma melodia.

Alguém está jubiloso, talvez dance,  

Pois seu ritmo me desperta para a vida.


Ainda há aqueles que persistem em ser felizes.  

Não é algo estranho,  

Pois eles sorriem e amam.  

Há aqueles que persistem em extrair da vida sua essência,  

Mesmo coexistindo com os sonâmbulos.


Quando eu tinha 30 anos,

Era um indivíduo apaixonado.  

Quantos sorrisos guardei,  

Quantos sorrisos se dão a quem ama,  

Quantos cumprimentos trocados.


Quando eu tinha 30 anos, pensava que seria pai,


Que teria netos.  

Mas então, a vida se transforma  

Num parque silencioso,  

E os pássaros migraram para outros campos,  

E meu tempo se extingue.


Lá na outra extensão, uma senhora tira fotos.  

Eu penso que também, nesse mesmo momento, tiro a minha.  

Ela do presente,  

Eu do meu passado.  

Ambos com sentimentos antagônicos,  

Mas vivos, como as andorinhas que repousam.